Magalhães: o portátil português
O Portátil Magalhães foi responsável há uma quinzena de dias atrás, por causar uma certa agitação nos media, no meio político, e claro, na blogosfera nacional, contribuindo para reforçar uma atmosfera de modernidade tecnológica que o Governo se tem esforçado por criar. Desde lá até cá, muitos têm falado e escrito sobre o assunto, juntando elogios, mas principalmente apontando defeitos e procedendo ao que classificam de “retirada da máscara”, do que é apelidado de primeiro portátil português.
Contra a inegável excitação da generalidade do cidadão comum, comprovada pela existência de já um site não oficial sobre a iniciativa Magalhães agora nascida, e por uma enorme quantidade de comentários e pedidos de informação em todos os blogs e sites que comentaram o lançamento do portátil português que está já a ser construído em Matosinhos na fábrica da JP Sá Couto, enquanto uma nova e própria para o efeito não está construída.
Contra o agrado com que muitos encarregados de educação receberam a notícia que poderiam adquirir um portátil de muito baixo custo para começar a instruir os seus petizes nas novas tecnologias.
Enfim, contra um certo sentimento nacional de que estamos em presença de algo bem feito e que trará benefícios ao país.
Várias personalidades, bloggers e afins se têm levantado nos seus escritos, para bater no dispositivo electrónico que herdou o nome do navegador português, que pela primeira vez (e ao serviço de Espanha) circum navegou o globo. O facto de em seu tempo, Fernão Magalhães ter sido subcontratado (diria eu) pelos Espanhóis, também é em si bastante irónico, basta agora ler a forma como a notícia do lançamento do portátil Magalhães foi dada em Espanha, onde creio, alguns detractores portugueses desta iniciativa beberam influências.
Que lhe apontam de mal?
Como um artigo no próprio blog do portátil magalhães sintetiza, e deixando de parte as motivações políticas, mediáticas, e até de ordem geográfica, as razões apontadas são as seguintes:
1. A preferência pelo projecto OLPC por ser uma plataforma mais aberta em relação a esta escolhida para o Magalhães.
Acontece que desde o início que é ponto assente, que o portátil que deriva deste projecto, o XO, será apenas produzido na Ásia. Se a escolha recaísse neste projecto, lá se iriam os dividendos económicos e laborais de ter uma fábrica em território nacional a produzir computadores em massa para Portugal, e como se espera, para o Mundo.
2. O facto deste tipo de computadores, como o Classmate e o OLPC, estarem direccionados para países sub-desenvolvidos ou emergentes.
Mas que tipo de computadores pretendem dar para as mãos das crianças de 6 até 10 anos?
3. A ilegitimidade de chamar português, a um computador baseado em tecnologia já existente da Intel - a maior produtora mundial de processadores para computador.
Efectivamente, o Magalhães é baseado na arquitectura do Classmate da Intel, mas há alguém que ache que um país como o nosso iria fazer um computador de raiz integrando tão somente tecnologia nacional!? Se usarem a mesma bitola de avaliação, haverá realmente algo de minimamente complexo manufacturado em Portugal, que possa ser considerado genuinamente português?
Considero o portátil Magalhães uma excelente iniciativa e oxalá possa cumprir a vertente de exportação pensada para o mesmo. O nome não poderia ter sido melhor escolhido, honrando uma grande figura da nossa História (sabiam que a naturalidade de Sabrosa tem sido posta em causa? Fernão Magalhães pode mesmo ter nascido no Porto), e motivando a tal vocação ultramarina que se deseja para o projecto.
Os irmão Sá Couto, tido como os pais do Magalhães, espreitaram muito bem esta oportunidade, e apontam desde há muito (marca Tsunami) o caminho que deveríamos seguir mais vezes - conhecer a tecnologia, e integrá-la cá dentro de portas o mais possível.
Quanto às críticas, a sorte do Magalhães parece mesmo ser o facto de incluir como uma das suas principais características, não fosse o grupo etário a que se destina, um chassis em plástico resistente ao choque. Doutra forma, creio que o seu interior, qualquer que seja a Pátria do mesmo (caberá a cada um julgar), estaria seriamente amachucado.
Da mesma forma que Fernão de Magalhães soube esperar pela melhor altura para ultrapassar o ponto mais meridional da América, esquivando-se e aproveitando a ajuda do Fenómeno El Nino (como foi recentemente publicado na Science), oxalá o Portátil Magalhães saiba aproveitar os ventos de feição e indicar o caminho a várias outras iniciativas análogas.
Ah!! E a combinação de cores do portátil é linda, não é verdade?
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São as previsões de Ray Kurzweil, investigador da área da inteligência artificial, que acredita numa convergência mútua de semelhanças homem-máquina.


O
A
A terceira edição do encontro
Estima-se que este ano o 