Génesis - Revista Científica do ISAG
Foi lançada em Maio último o mais recente número da Génesis, com a novidade de desta feita o seu lançamento ter sido feito em suporte digital.
A revista é consultável no próprio site do ISAG. Do editorial de Jorge Pinho se dá aqui conta.
A presente edição, electrónica, da Génesis, segue o rumo dos novos tempos. Os caminhos da informação digital e virtual há muito que entraram, literalmente, pelas nossas casas adentro. Dir-se-á que perdemos contacto com a realidade palpável que se apresentava perante os nossos sentidos. Parecerá, porventura, que o odor do papel recém-impresso, o aspecto da mancha de texto salpicada por um ou outro pontinho de tinta, ou a sensação táctil da rugosidade do papel se desvaneceram para sempre. No entanto, é evidente que tais sensações não desapareceram e poderão até ser realçadas com a decisão individual de escolha dos materiais a utilizar na impressão e até mesmo do momento mais adequado para o fazer. Saliente-se ainda que, deste modo, a individualização da impressão poderá significar inclusivamente a afirmação da personalidade de cada um dos promotores da divulgação da Génesis. Sabemos que sempre haverá vozes críticas e outras mais elogiosas e que qualquer mudança significa sempre uma controvérsia, mais ou menos potenciada pela dimensão da receptividade que lhe vier a ser conferida. Sabemos também que haverá aqueles para quem os novos meios constituirão sempre um anátema. Mas, por outro lado, sabemos que os caminhos que trilhamos têm sempre de se adaptar à realidade circundante. E quem melhor do que a comunidade da tradução para reconhecer a importância dos contextos? Quem melhor do que aqueles que, como nós, enfrentam diariamente a necessidade de actualização constante para perceber que os novos rumos eram urgentes e implicavam necessariamente este tipo de mudanças? Curiosamente, ao longo das páginas desta Génesis, percorremos caminhos de um passado longínquo, de um presente fértil e, naturalmente, de um futuro promissor e incerto. Das ideias funcionalistas de Christiane Nord, em torno da tradução da Bíblia constitui-se uma noção essencial de superação das barreiras culturais. Com Stefanos Vlachopoulos seguimos os trajectos do ensino através da tradução de textos especializados, uma aptidão essencial para esse mesmo método de ensino. As veredas do Amor nas considerações de Andrzej Łyda remetem-nos obrigatoriamente para esse eterno intangível, ainda que segundo uma visão linguística do uso de alguns termos. Com Helena Chrystello viajamos pelas relações entre o uso de uma segunda língua como língua materna e as confusões que daí podem resultar. Seguindo os passos de Iria González Liaño, percorremos as auto-estradas da prática terminológica ensinada por esse mundo fora aos interessados num uso mais imediatista das línguas. Com Ana Maria Grund descobrimos processos de comunicação não verbal essenciais à comunicação quotidiana. De Alegria Beltrán tomamos conhecimento da forte componente de intervenção política associada a alguns movimentos de tradução. De Chrys Chrystello ficamos a conhecer o prisma de intervenção do mais novo continente, a Austrália, no apoio que presta às suas próprias necessidades como sociedade multicultural. Carlos Machado traz-nos uma nova visão do conceito crucial de reescrita literária e das suas implicações para a tradução. Ana Bela Cabral vê o intérprete como um futurista Gatekeeper, uma perspectiva tão imaginativa quanto essencial do papel destes profissionais. De Patricia López-Gay temos o enquadramento criativo do papel tão pouco estudado da auto-tradução como processo de ensino de novas práticas para a tradução. Finalmente, com João Carlos Serafim, seguimos pelos “Novos Caminhos” da estética da recepção. A panóplia de intervenções aqui apresentadas sugere, portanto, uma interessante mescla de perspectivas multiculturais e universais que tão bem se enquadra nos moldes de globalização da sociedade actual. Outros rumos seguiu também a organização que construiu e está por trás da elaboração e divulgação desta revista científica. O Instituto Superior de Assistentes e Intérpretes completou o trajecto de vida que lhe fora destinado. Seguiu um caminho de integração e consolidação num projecto mais abrangente, que se deseja auspicioso e fomentador de sinergias fundamentais a um alargamento de objectivos e a uma projecção mais alargada. A continuidade da Génesis no actual quadro do Instituto Superior de Administração e Gestão sugere a importância que esta revista já assumiu e se deseja possa continuar. O futuro está aí, constrói-se a cada passo e é sinal dos tempos que possa ser cada vez mais a individualidade de cada um de nós a moldá-lo e não tanto as imposições externas condicionadoras de vontades e anseios. Por tudo isso, caberá aos actuais e futuros responsáveis e intervenientes continuarem a desenvolver e a inovar também os modelos de representação da realidade que agora usamos. Caberá, a todos, intervir decisivamente e continuadamente nos desígnios desta revista científica criando novos espaços de afirmação para os seus conteúdos e procurando novos públicos, mais globais. Que estas novas páginas permitam aos leitores o conhecimento dos novos mundos propostos pelos nossos autores e que os novos rumos trilhados sejam o prenúncio de um êxito que se anseia perpetuar!
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