O Codex 632
Este foi o primeiro livro que li do José Rodrigues dos Santos. Apareceu-me em casa, sem que tivesse manifestado interesse em o ler ou adquirir.
Não sendo o José Rodrigues dos Santos o único pivot ou jornalista de Telejornal, que “nos entra pela casa dentro” à hora do jantar, a ter decidido publicar os seus escritos (Rodrigo Guedes de Carvalho e Miguel Sousa Tavares também o têm feito, apenas para referir os que mais aprecio), não me entreguei ao livro com muita paixão, nem o comecei a ler com o habitual entusiasmo que dedico a um livro por mim escolhido.
A minha relação com ele, foi mais do género de quem está a trabalho numa terra distante onde nunca teria escolhido passar uns dias, mas que na perspectiva de rentabilizar o tempo que ali passa, não deixa de ir espreitar a monumentalidade local.
Da mesma maneira, que me poderia enamorar dos recantos da cidade antes desconhecida, também fui gostando do que li, à medida que me embrenhei na trama, quanto a mim, muito bem urdida por JRS.
Para quem gosta de histórias com grandes revelações, que tudo colocam em causa, estilo Código Da Vinci de Dan Brown, este Codex 632 é o livro a ler! Contando ainda com mais uma virtude – diz-nos respeito a nós portugueses e à nossa História, remetendo-nos para uma época que julgo muitos gostaríamos de ter vivido – a época das nossas conquistas Além-Mar.
Tomás Noronha, especialista em criptografia é contratado por uma fundação Norte Americana para descodificar uma estranha cifra. O mistério que ela encerra revela-se inimaginável, lançando-o na demanda do mais bem guardado segredo dos Descobrimentos: a verdadeira identidade de Cristóvão Colombo.
Teria sido como a História regista, um pobre tecelão genovês?
Um almirante que dominava as artes de marear e que se sentava à mesa de reis poderia provir de origens tão humildes?
Depois de muita investigação, muitos indícios, muitas particularidades interessantes de seguir, que se cruzam entre outros com o nosso Príncipe Perfeito – D. João II (para mim O Melhor Português de Sempre), com a cabala, com os templários, finalmente chegado à verdadeira identidade de Cristóvão Colombo, a prova irrefutável que o corrobora é destruída num misterioso incêndio que se vem depois a descobrir ter sido posto a mando da mesma fundação que o contratou.
Sendo então único detentor de todos os factos, mas sem modo de os revelar, uma vez que havia contratualizado não tornar pública qualquer revelação, e ainda para mais a isso obrigado também por questões pessoais, Tomás Noronha vê-se na necessidade de usar de um expediente engenhoso para nos fazer chegar toda a verdade na forma de ficção … o próprio livro que nos chega às mãos.
P.S. Não cheguei a apontar a verdadeira nacionalidade de Colombo segundo o livro. A esse fim, talvez ajude saber, que JRS se baseou em documentos históricos genuínos e fundamentalmente no trabalho do historiador Mascarenhas Barreto (The Portuguese Columbus: Secret Agent of King John II, 1992).
P.S. 2 – Ao escrever o post entusiasmei-me e acabei quase por contar toda a história. Vou dividi-lo em dois e só espreita a segunda parte quem quiser
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