Paulo Trezentos escreve de vez em quando no Bitaites, vale a pena ler …
Todas as frases contundentes sobre o futuro da informática arriscam-se a entrar para a história como piada.
Foi o caso da frase atribuída a Bill Gates segundo a qual 640 KB de memória é suficiente ou a pronunciada por um director da IBM afirmando que um dia haverá mercado para mais de que 5 computadores no mundo.
Posto isto, arrisco e afirmo: o Mac não vai ser líder de mercado de desktops e portáteis. Nem amanhã, nem daqui a 10 anos, se mantiver o actual modelo.
A Apple pode liderar o mercado de leitores de MP3 com o iPod mas dificilmente o fará no segmento desktop porque o modelo… não escala. Independentemente da qualidade do software e hardware.
Do que conheço do Mac da Apple, admito que hoje é o melhor sistema operativo de desktop para a grande maioria dos utilizadores. É sexy, é fácil de utilizar e está ao preço dos PCs.
Então porque não poderá conquistar 50% ou 60% do mercado?
O modelo da Apple consiste em esta produzir o hardware e software, garantindo assim a qualidade da inter-ligação entre os dois.
O Mac conquistar 50% do mercado significaria que a Apple teria de produzir 4.000 milhões de Macs por ano, ou seja, semelhante ao produzido pela HP, Dell, Fujitsu Siemens, IBM Lenovo e Toshiba juntas.
E isto é difícil de conseguir quando falamos de hardware e do marketing para o comercializar.
Por outro lado, neste momento o Mac é sexy porque apenas uma em cada 20 pessoas (5%) tem a “caixa branquinha”. Imagine que em cada dois utilizadores, um deles tem um PC igual ao seu. Já não é tão sexy…
A mudança dos processadores do Mac para Intel veio no sentido da massificação de vendas e já está a ter algumas consequências. Utilizadores mais antigos dizem que, apesar de bom, este sistema não tem a robustez de outros tempos.
Esta reflexão tem origem ao assistir à minha volta a vários amigos mudarem para Mac. Alguns deles abandonando o Windows e outros o Linux.
Não vejo esta passagem como negativa porque o próprio MacOS e aplicações principais incorporam vários componentes de Software Livre/Aberto. Por outro lado, força a existência de aplicações multi-platforma, que é a única e verdadeira razão pela qual a Microsoft ainda mantém a quota de mercado em desktops.
Um amigo meu, fã de iPod, ao mudar de PC para Apple disse-me “comprei o Mac porque, para mim, é um belo acessório para o iPod”. De facto, é. Mas não escala.
Paulo Trezentos dá aulas de Arquitecturas de Computadores e Sistemas Operativos no ISCTE, é investigador na ADETTI, um centro de investigação do ISCTE, é o Director-Técnico da distribuição portuguesa de Linux, iniciou ou colabora em dezenas de outros projectos e escreve regularmente artigos e livros de divulgação destinados ao utilizador comum.
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